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Cometer erros ou fazer milagres?

Tomar uma decisão não é uma tarefa fácil.

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Sorria...

Você já descobriu que o sorriso abre portas e muda faces endurecidas? 
Nem sempre os seres humanos aproveitam as dádivas recebidas de Deus para o seu próprio bem e para o bem do próximo. Isto porque nós temos o péssimo costume de valorizar aquilo que tem preço e rejeitar o que é gratuito. Quando algo é de graça, nós logo desconfiamos...

Vivemos na era do conhecimento, da tecnologia avançada, pós-graduação, mestrado e doutorado.... E esta nova maneira de viver, tem nos levado a valorizar o "grande" e desprezar o "pequeno".

Hoje não temos mais tempo para "perder" com detalhes, porque a nossa mente está sendo programada para estudar, conhecer o que nos dá dinheiro, prestígio, status...

E assim vamos vivendo, tendo o controle de todas as coisas que se referem ao nosso mundo exterior. Mas, ao mesmo tempo, perdendo a capacidade de perceber os sinais do nosso interior, de valorizar palavras simples como um bom dia, obrigado, por favor... ou os gestos simples: como um olhar, um aperto de mão, um sorriso...

Sorriso: um gesto tão simples e que diz muito!!!

Você é daqueles que só dá um sorriso quando mandam, para tirar fotos ou para ser filmado, como este cartaz que vemos em muitos lugares: "Sorria, você está sendo filmado" ?

Ou você é daqueles que vive sorrindo, que descobriu que o sorriso abre portas, muda faces endurecidas como um mármore?

Você já percebeu como nos sentimos rejeitados quando somos atendidos por pessoas de caras feias?

Mas, você também já percebeu a diferença que faz quando somos amáveis e sorridentes diante quem nos trata com grosseria?

Vivi uma experiência interessante aqui nos Estados Unidos. Era o meu primeiro dia de aula de inglês, só a Silvia Novadzky e eu éramos brasileiras. Estava sentado na nossa frente um casal chinês e todos nós temos a mesma dificuldade: não falamos inglês.

Então, a professora fez uma pergunta para aquela senhora chinesa que aparentava 60 anos e, ela respondeu com muita dificuldade, a impressão que dava é que era o primeiro contato com a língua inglesa. Olhei para ela, que esboçou um sorriso, entendi tudo... em fração de segundos pude compreender a sua dificuldade de estar em um país que não é a sua pátria e, do aprendizado de uma língua tão difícil para ela. Que linda comunicação!

A mesma dificuldade nos uniu, mas o sorriso em nossos lábios naquele momento uniu os nossos corações, e assim foi possível acontecer a comunicação, através de um simples gesto: o sorriso.

Que tal aperfeiçoar o nosso sorriso?
Dê um sorriso... Se for difícil, vá até um espelho, esboce um sorriso... Agora mostre os dentes... abra a boca... Isso mesmo que sorriso lindo!!!

Sorria! Jesus te ama!


Marina Adamo

O amor verdadeiro espera

Carta aberta à população. 
Nós, agentes da Pastoral Familiar da Comissão Nacional da Pastoral Familiar vimos a público nos manifestar quanto ao posicionamento e enfoque dado pelo Dr Drauzio Varela no programa de Planejamento Familiar através do Fantástico.

Existe sim um número elevado de adolescentes no Brasil e decorrente deste fato, naturalmente grande número de adolescentes grávidas, com aumento de partos nesta faixa etária. O índice alarmante de paternidade e maternidade exercido pelos adolescentes nos preocupa a todos brasileiros. Preocupa-nos o estímulo à vivência precoce da atividade sexual exercida pelos meios de comunicação social.

Causa-nos estranheza, contudo a maneira com que foi apresentado o programa e a situação nacional da adolescência. Como cristãos, queremos que não sejam noticiadas inverdades e que pelo direito de nos expressar, nos manifestamos.

A adolescência, que vai de 10 a 18 anos, conforme o Estatuto da Criança e Adolescente-ECA é um período de adaptação hormonal no qual não dever-se-ia indicar hormônios para se evitar gravidez. Primeiro, porque remédios são tratamentos para prevenir ou curar, tratar doenças. Se a adolescente é uma pessoa normal, saudável porque tomaria remédios, se ela não está doente? Gravidez é doença? Não, gravidez é saúde, é vida.

O uso de hormônios hoje é bastante questionado durante a menopausa, pelos efeitos negativos sobre o organismo feminino e os aumentos significativos no índice do câncer de mama. Não seria lógico pensar que estes hormônios, utilizados precocemente pelas adolescentes, também podem causar sérias complicações, principalmente porque serão utilizados por longo prazo?

A imaturidade na vivência do ato sexual pela adolescente, também estimulada pela falsa segurança, proporcionada pelo uso do contraceptivo tem sido uma das principais causa do aumento das doenças sexualmente transmissíveis, da esterilidade e do aumento de portadores do HIV entre jovens.

Concordamos que a gravidez deve ocorrer quando houver maturidade física, mental, social e dentro do matrimônio. Caso contrário, devemos pensar e trabalhar sim a Educação permanente para o Amor. Remédios, como citado no programa como pílulas ou injetáveis não é a solução. Pelo contrário, os efeitos colaterais serão, com certeza, nefastos para o organismo dos adolescentes.

Temos tantos trabalhos e exemplos maravilhosos pelo Brasil respeitando e educando adolescentes, por isso consideramos muito pobre e parcial o ponto de vista do programa, porque não dizer, contrário a ideologia da vida. No programa não são consideradas a integralidade do adolescente e a influência de multinacionais, fabricantes de pílulas e injeções hormonais, interessadas em vender seus produtos sem considerar os efeitos prejudiciais à saúde de nossos jovens e adolescentes brasileiros.

O amor verdadeiro espera. A família, independente de como ela seja, deve ser lugar, porto seguro para o filho, filha adolescente!

A sociedade e o poder público devem olhar com carinho o jovem adolescente e através de informação e formação, conscientizar que o valor da vida passa pela vocação, pelo conhecimento do corpo, pela consciência de fertilidade, pelo diálogo com os pais, com o compromisso com o outro, com o respeito pelo outro.

Então gravidez em adolescentes e doenças sexualmente transmissíveis podem ser evitadas com verdade científica e atitude de escuta e apoio, estando junto com o adolescente nas suas dificuldades. Esta deve ser a nossa posição de cristãos, que valoriza a educação de vida familiar.

Sair do comodismo e artificialidade e pensar em um planejamento familiar consciente, onde se respeita a ética e moral cristã é a solução.

Queremos que a Mídia no seu papel de formadora de opinião pública vejam em Jesus o Caminho, a Verdade e a Vida, valorizando o ser humano, Imagem e Semelhança de Deus.
Comissão Nacional da Pastoral Familiar
01/12/2005

O sexo no plano de Deus

Ninguém é feliz se não aceita a vontade do Senhor. 
Vamos refletir um pouco sobre o sentido do sexo no plano de Deus, na nossa vida. Deus e a Igreja olham para o sexo como algo muito importante. Deus Pai quis que existissem dois sexos, então cada um de nós é parte daquilo que é o seu sexo. O sexo não é apenas um ingrediente da sua pessoa, é a sua pessoa. Deus quis que o casal fosse assim feliz: "Sereis uma só carne".

O livro do Gênesis diz que o Altíssimo os criou homem e mulher e disse: "Crescei-vos, multiplicai-vos e enchei a terra". E dessa forma toda a riqueza do sexo masculino enriquece o sexo feminino e vice-versa. O sexo vai muito além do físico, ele faz parte do intelecto, do coração, por isso é muito importante que nós amemos o nosso sexo: se Deus me fez homem eu devo gostar de mim como homem. É importante que queiramos ser o que Deus quer. Ninguém é feliz se não aceita o plano, a vontade do Senhor.

Qual o sentido do sexo no plano de Deus? O sentido unitivo e procriativo. Em relação ao procriativo vemos que Ele disse: "Crescei, multiplicai, enchei a terra". O Todo-poderoso quer que você gere o seu filho e não quer que nenhum filho venha a este mundo de outro jeito que não seja por intermédio da relação do pai e da mãe no ato de gerar essa criança - gerada no calor de amor de seu pai e sua mãe.

Deus não quer sexo sem vida e não quer vida sem sexo, ou seja, vida gerada por fertilização, entre outros. A coisa mais bonita que podemos fazer neste mundo é sermos pais e mães: um dia os navios vão parar de navegar, as estrelas vão parar de brilhar, mas os nossos filhos nunca vão passar, pois são a imagem e semelhança de Deus. O casal é a fonte da vida por meio da vida sexual. Então, aí vocês já percebem a alta dignidade do sexo.

A segunda dimensão [do sexo no plano de Deus] é a da unidade do casal. Deus disse: "Vocês serão uma só carne" - carne, na Bíblia, quer dizer natureza humana e esta união se dá também no plano físico. Então o ato sexual é a celebração mais profunda do amor conjugal, o ápice - "o meu corpo é da minha mulher, pois fiz uma aliança com ela". Mas Deus Pai deixa bem claro: o sexo é no casamento.

O sexo no lugar certo, no plano de Deus, na família, no casal é uma maravilha, mas, fora do casamento é uma desgraça. É preciso que os jovens entendam por que a Igreja diz que o sexo é só no casamento: é porque esta Mãe os ama muito. Veja quantas doenças venéreas estão espalhadas pelo mundo. Hoje os Estados Unidos e a Inglaterra estão incentivando seus jovens à abstinência sexual, para que não vivam o sexo fora do casamento. Por que isso? Porque ninguém é mais sábio, melhor do que Deus: se o Senhor propõe para nós uma lei é porque Ele é bom para nós.

O sexo é para ser vivido no casamento - fora dele você tem tragédia: doenças venéreas, gravidez fora de hora, entre outros. Mas a Igreja diz para você: "Viva a Lei de Deus. Você vai ser feliz!"
Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

Só Cristo pode fundar uma Igreja

É ilógico dizer que todas as religiões são equivalentes entre si. 
Temos de respeitar a crença de cada pessoa; a liberdade religiosa é algo fundamental, mas não é verdade que todas as religiões e Igrejas são igualmente válidas. As muitas religiões ou seitas foram fundadas por simples mortais, e não por Deus, por isso não se pode dizer que todas as religiões são boas, e que basta ser religioso e seguir qualquer uma delas. Se isso fosse verdade, Jesus não precisaria ter vindo a este mundo, fundar a Sua Igreja e morrer numa cruz. Bastava deixar os homens continuar no paganismo ou se salvarem nas outras religiões. Assim não seria necessário todo o esforço de evangelização em todo o mundo, com milhares de mártires, missionários, etc..
É ilógico dizer que todas as religiões são equivalentes entre si, pois elas propõem Credos diferentes, que se excluem mutuamente. Algumas religiões professam o politeísmo (muitos deuses), outras o panteísmo (tudo é Deus), ou o monoteísmo (há um só Deus).  Veja, na questão mais essencial da religião, isto é, a concepção de Deus, já há uma enorme diversidade, que se excluem mutuamente; como, então, querer que todas as religiões sejam equivalentes e igualmente boas? É ilógico e irracional. Então há que se descobrir a Verdade. Se a verdade plena está numa doutrina, esta é a verdadeira e as outras são falsas.
Ora a verdade é uma só, logo, objetivamente falan­do, há Credos verídicos e credos errôneos. Cada reli­gião tem a sua doutrina, seu culto e sua moral própria; e é aqui que estão as divergências: uns creem na reencarnação, outros não a acei­tam; alguns aceitam o divórcio, o aborto, o homossexualismo, a guerra santa, a poligamia... e há quem não os admita.

Com quem está Verdade? A verdade não pode estar com todos. Logo, não podem ser boas todas as religiões.

O Concílio Vaticano afirmou:
“Professa o Sacro Sínodo que o próprio Deus manifestou ao gêne­ro humano o caminho pelo qual os homens, servindo a Ele, pudessem salvar-se e tornar-se felizes em Cristo. Cremos que essa única verdadei­ra Religião subsiste na Igreja católica e apostólica, a quem o Senhor Jesus confiou a tarefa de difundi-la aos homens todos, quando disse aos Apóstolos: “Ide pois e ensinai os povos todos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes a guardar tudo quanto vos mandei” (Mt 28, 19-20). Por sua vez, estão os homens todos obriga­dos a procurar a verdade, sobretudo aquela que diz respeito a Deus e a Sua Igreja e, depois de conhecê-la, a abraçá-la e praticá-la”. (Declaração Dignitatis Humanae, n.1).
“Esta é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos una, santa, católica e apostólica (12), e que o nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, confiou a Pedro para que ele a apascentasse (cf. Jo 21, 17), encarregando-o, assim como aos demais Apóstolos, de a difundirem e de a governarem (cf. Mt 28, 18s), levantando-a para sempre como “coluna e esteio da verdade” (1 Tm 3, 15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele, ainda que fora do seu corpo se encontrem realmente vários elementos de santificação e de verdade, elementos que, na sua qualidade de dons próprios da Igreja de Cristo, conduzem para a unidade católica”. (Lumen Gentium, nº 8).


Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

Que música devo ouvir?

O que a música que você ouve causa em seu interior?

Hoje vou falar sobre algo delicado que, há muitos anos, é causa de muita polêmica nas reuniões dos ministérios de música: Que tipo de música devemos ouvir?

Para ter uma resposta mais adequada sobre isso é preciso entender que a música exerce um "poder" sobre quem a escuta. Isso é de fácil identificação para nós músicos, pois, quando estamos tocando ou cantando, podemos sentir alterações em nossos sentimentos ao executarmos determinados acordes. Um exemplo básico disso: Um acorde menor é facilmente relacionado a expressões mais tristes, como na Semana Santa a canção da Via-Sacra: "A morrer crucificado, meu Jesus é condenado". É uma canção que expressa grande tristeza e basicamente tocada em tom menor. Já a tonalidade maior expressa mais alegria, claro que não só alegria, mas como disse acima, estou exemplificando de forma básica. Um acorde com 7º em determinadas aplicações revela algo indeterminado esperando uma resolução que basicamente seria a tônica maior da harmonia.


Esses exemplos são sentidos por todos os músicos que, de fato, ouvem e apreciam a música, mas indo além, uma matéria, em um site de notícias na internet, afirma que cientistas revelam que a música pop teve grande influência entre competidores de uma meia maratona no Reino Unido, aumentando a performance destes na corrida. A música tem poder de criar "tribos", de fazer com mudemos o estilo de cabelo, que usemos roupas nada convencionais, até mesmo de estimular o uso de drogas, entre outros. Por outro lado, também tem o poder de incentivar e aumentar a fé. Entre nós músicos católicos costumamos dizer que a música é 70% do grupo de oração devido ao grande poder que ela tem de preparar o ambiente para a oração, pregação da Palavra, adoração, e assim por diante. Daí a importância da música ungida.

Bom, sabendo desses poucos fatores, o que ouvir? Com o que alimentar meus ouvidos, ego, ser, inteligência? Existem os defensores de que devemos ouvir o que tocamos, existem os defensores de que devemos ouvir somente músicas cristãs.

Monsenhor Jonas Abib diz que devemos deixar de lado as músicas mundanas e buscar no Espírito Santo de Deus inspiração. As músicas denominadas "raiz" e instrumentais podem ser ouvidas, desde que sejam bem escolhidas. O poder que você tem de fazer escolhas e a graça que o Espírito Santo lhe dá por meio da oração individual e sua espiritualidade serão o termômetro para aquilo que você ouve.

Mas está "na cara" que não dá para ter, em sua coleção musical, CDs e DVDs que levem ao sexo, à violência, ao uso de drogas, à pornografia, à infidelidade, etc., coisas que vão contra a sua fé. Portanto, 50% das músicas executadas hoje por grandes artistas já devem ser eliminadas da coleção musical do músico cristão. Existem por outro lado, músicas boas, que falam de boas coisas e trazem boas influências, sem falar de Deus diretamente. Assim como há músicas que falam de amor sem expressar um amor barato, para satisfação pessoal. Posso até afirmar como o saudoso padre Léo: "Tem gente que fez a música falando de amor a uma mulher, mas, na realidade, buscava o amor de Deus sem saber".

Então você vai me perguntar: "E aí, André? Essas músicas posso ouvir?" Eu lhe respondo com outra pergunta: O que essa música causa em você? Causa melancolia, o faz relembrar o passado, o beijo que lembra o abraço, que lembra... Ela o faz lembrar-se do passado triste e amargo, da humilhação vivida? O que ela causa em você? A nossa boca fala e canta e nosso ser expressa do que está cheio nosso coração. Se ouço o dia todo músicas que me levam ao pecado, nem que seja em frases escondidas, fatalmente eu cairei naquele pecado mais cedo ou mais tarde. O que ouço passa a ser influência sobre o que toco e canto. Então se ouço boas coisas, tocarei e cantarei boas coisas.

Não posso dizer para você que ouça ou não ouça determinado cantor ou banda, mas posso lhe perguntar: O que você escuta tem ido ao encontro da fé que você professa, dos jovens que você quer salvar e do povo que você quer evangelizar? 

Reze, busque Jesus em adoração, talvez seja o momento de fazer uma grande mudança de influências musicais.

Deus o abençoe! Eu continuo lutando!


André W. Florencio
Missionário da Comunidade Canção Nova

A amizade amadurecida

Uma coisa é amar por necessidade e outra é amar por valor.
Uma das características da infância é a incapacidade de dividir coisas. Uma criança não pode dividir porque não se possui, porque ainda não sabe o que ela é. Você começa a identificar a maturidade a partir do momento em que uma criança consegue perceber as regras de um joguinho.

A maturidade faz parte de um processo. Em um processo não podemos queimar etapas. Ele é lento, chato e demorado.
Uma criança passa por um momento de amadurecimento a partir do momento em que começa a brincar. A maturidade acontece quando tomamos posse do que nós somos, para aí então podermos nos dividir com os outros. Isso faz parte desse processo de amadurecimento.

Não nascemos amando, pelo contrário, queremos ter a posse dos outros. Essa é a forma de amar da criança, pois ela não consegue pensar de maneira diferente. Ela não consegue entender que o outro não é ela. Quantas pessoas, já adultas, ainda pensam assim, trata-se da incapacidade de amar devido à falta de maturidade.

Todos os encontros de Jesus Cristo levam à implantação do Reino de Deus. Mas só pode implantá-lo quem é adulto e já entende que só se começa a amar a partir do momento em que eu não quero mudar quem eu amo.


Geralmente quando tememos alguém ruim ao nosso lado é porque nos reconhecemos naquela pessoa. Jesus não tinha o que temer porque era puramente bom, por isso contagiava os que estavam ao lado d'Ele.

Na maturidade de Jesus você encontra a capacidade imensa de amar o outro como ele é. Amar significa amar o outro como ele é. Por isso quando falamos em amar os outros podemos perceber o quanto deixamos de ser crianças. Devemos nos questionar a todo o momento com relação à nossa maturidade.

A santidade começa na autenticidad, por essa razão Cristo nos pede que sejamos como as crianças, que são verdadeiras e simples. É nisso que devemos manter da nossa infância e não a forma de possuir as coisas para nós mesmos.

Você tem condições para perceber a sua maturidade. É só observar se você é obediente mesmo quando não há pessoas ao seu redor. Você não precisa que ninguém o observe, pois você já viu aquilo como um valor.

Pessoas imaturas sofrem dobrado. Pessoas imaturas querem modificar os fatos; ao passo que pessoas maduras deixam que os fatos as modifiquem. A maturidade nos faz perceber que não podemos mudar os fatos. Um imaturo ganha um limão e o chupa fazendo careta. O maduro faz uma limonada com o limão que ganhou.

Muitas vezes, os nossos relacionamentos de amizade são uns fracassos porque somos imaturos. Amigos não são o que imaginamos, mas o que eles são e com todos os defeitos. Amizade é processo de maturidade que nos leva ao verdadeiro encontro com as pessoas que estão ao nosso lado. Elas têm todos os defeitos, mas fazem parte da nossa vida e não as trocamos por nada deste mundo. Isso porque temos alma de cristão e aquele que tem alma de cristão não tem medo dos defeitos dos outros, porque sabemos que esses defeitos não serão espelhos para nós; mas seremos instrumentos de Deus para que os superem.

Padre só pode ser padre a partir do momento em que é apaixonado pelos calvários da humanidade. Se você não consegue lidar com os limites dos outros, é porque você não consegue lidar com os seus limites. A rejeição é um processo de ver-se.

Toda vez que eu quero buscar no outro o que me falta, eu o torno um objeto. Eu posso até admirar no outro o que eu não tenho em mim, mas eu não tenho o direito de fazer dele uma representação daquilo que me falta. Isso não é amor, isso é coisa de criança!

O anonimato é um perigo para nós. É sempre bom que estejamos com pessoas que saibam quem somos nós e que decisões nós tomamos na vida. É sempre bom estarmos em um lugar que nos proteja.

Amar alguém é viver o exercício constante de não querer fazer do outro o que nós gostaríamos que ele fosse. A experiência de amar e ser amado é, acima de tudo, a experiência do respeito.

Como está a nossa capacidade de amar? Uma coisa é amar por necessidade e outra é amar por valor. Amar por necessidade é querer sempre que o outro seja o que você quer. Amar por valor é amar o outro como ele é quando ele não tem mais nada a oferecer, quando ele é um inútil e, por isso, você o ama tanto. Na hora em que forem embora as suas utilidades você saberá o quanto é amado.

Tudo vai ser perdido, só espero que você não se perca. Enquanto você não se perder de si mesmo você será amado, pois o que você é significa muito mais do que você faz.

O convite da vida cristã é este: que você possa ser mais do que você faz!


Padre Fábio de Melo

Padre Fábio de Melo é professor no curso de teologia, cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova.

Avós, simbolos de experiências

A sabedoria acumulada de duas gerações.
Celebramos o Dia dos Avós (26/jul). Não se trata de mais uma data comemorativa criada com fins comerciais, mas de um dia de reflexão e agradecimento àqueles que tanto contribuem para a formação dos netos, sendo sua companhia cada vez mais constante e necessária no cenário atual, visto que os pais precisam trabalhar fora.

Nossos avós – e todos os idosos, de modo geral – são as pessoas que mais devem ser valorizadas como símbolos de experiência e sabedoria. Eles trazem consigo o testemunho de décadas, de gerações de avanços, modernidade e mudanças de comportamento.
Hoje, muitos deles consideram que o tempo não tem a mesma importância de outrora, tanto que o relógio de pulso é usado apenas como acessório.

Se hoje eles têm a pele flácida, o corpo mais sensível e a visão enfraquecida, devemos nos lembrar de que nem sempre foi assim. Afinal, já batalharam muito e dedicaram suas vidas ao cuidado da família. São tão dignos de carinho e respeito quanto nossos pais. Por isso, jamais devemos nos esquecer do verdadeiro valor deles.

Ser avô e avó, fazer parte da terceira ou quarta idade, não pode mais ser relacionado à invalidez, à inoperância ou à inutilidade. Grande parte ainda contribui com a mesma sociedade que os descarta, haja vista o elevado número de idosos responsáveis financeiramente por seus lares, cuidando de filhos e netos.

É muito triste constatar que em muitas famílias os idosos são tratados como objetos antigos. Há pessoas que costumam tecer comentários desrespeitosos a respeito dos mais velhos da casa, reclamando que só dão trabalho, que são lentos ou doentes. Quanta injustiça! Sua presença ensina aos mais novos o tesouro de enxergar o mundo com os olhos do coração.

Quem souber aproveitar o convívio com essas figuras que acumulam sabedoria de duas gerações, certamente terá muito a aprender com seus conselhos. Nossos avós detêm o conhecimento e a sabedoria que não são aprendidos nos livros e estão sempre dispostos a partilhar. São verdadeiros tesouros em nossa vida.

Abraços,

Dado Moura
contato@dadomoura.com
Dado Moura é membro aliança da Comunidade Canção Nova e trabalha atualmente na Fundação João Paulo II para o Portal Canção Nova como articulista. Autor do livro Relações sadias, laços duradouros
Outros temas do autor: www.dadomoura.com
twitter: @dadomoura
facebook: www.facebook.com/reflexoes

O ciúme exagerado

Que o passado não seja o determinante do nosso presente.
A língua grega classifica o Amor em três formas distintas. Eros: amor romântico, é caracterizado quando se ama além do amor philos-amizade, aplica-se a relacionamentos bem como a união. Philos: amor virtuoso e desapaixonado. Denota amor entre amigos e familiares. Ágape: afeição mais ampla que o Eros, sentimentos não carnais. Na literatura bíblica significa autossacrifício, para todos, amigos ou mesmo inimigos.

No "sentimento da paixão" predomina a forma "Eros", caracterizada pela atração física, desejo, contemplação da beleza. É um amor que busca recompensa, ainda que seja simplesmente da presença da pessoa amada. A pessoa apaixonada pensa em satisfazer suas expectativas no (a) parceiro (a).

O Eros é a face que melhor representa e torna possível a aspiração que o próprio Senhor depositou no gênero humano – em ter alguém único (a) e que o (a) complemente: "Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne" (Gn 2, 24). É vocação, inscrita no íntimo do ser: "A vocação para o Matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, conforme saíram da mão do Criador" (Catecismo da Igreja Católica, n. 1603).

A afetividade e sexualidade pedem complemento, por isso necessitamos nos relacionar com outras pessoas. Mas, no caso da vocação ao amor esponsal – apaixonado - , com a capacidade de amar Eros, é natural que vislumbremos o (a) outro (a) como parte de nós. Isso é maravilhoso, é um chamado dado pelo Senhor, é o desejo de Deus para o ser humano. No entanto, se não bem compreendida e experienciada por um coração, da capacidade de amar pode derivar-se a tendência em ter um sentimento de posse em relação ao (à) parceiro (a) e não de complemento.

Quando se tem um relacionamento amoroso com alguém é natural sentir ciúme. Afinal, estabelecemos um compromisso com a outra pessoa, no qual entregamos algo de nós muito precioso, que passa a não depender mais dos nossos cuidados. Para o (a) amado (a), confiamos a nossa verdade, a honra e os afetos. Consideramos a outra pessoa como esse complemento, parte de nós mesmos, extensão do nosso ser, ou no caso do namoro, um aspirante a ser tudo isso em nossa vida, que o vai recebendo aos poucos.

Em certos momentos, o amor Eros, que trazemos, se manifestará na forma de querer preservar esse sagrado e, consequentemente, o vínculo que temos. Queremos nos certificar de que a outra parte também cuida e se importa, tanto quanto nós mesmos, para preservar o afeto e o compromisso existentes entre nós.

Sabe aquela espiadinha básica para ver se nada está sofrendo ameaça? Agimos assim, como que dizendo: “Por favor, conserve o que eu sinto por você, porque o que tenho dentro de mim é precioso demais e estou lhe entregando! Você vai zelar por tudo isso?”

O problema é quando esse sentimento torna-se exagerado, daí provem aquele ciúme que destrói a relação.

Na Sagrada Escritura o ciúme é tido como obra da carne, contrário aos frutos do Espírito Santo (cf. Gl 5, 19-20). Não somente em relações amorosas, mas também no termo Philos o ciúme está presente. São exemplos disso: Caim que matou seu irmão Abel (cf. Gn 4), Saul com ciúme do amigo e servo Davi (cf. I Sm 18, 9). Esses casos também demonstram o ciúme como sinônimo de inveja, cobiça e complexo de inferioridade.

Somente na face Ágape não se contempla o ciúme: “O amor não tem inveja” (cf. I Cor 13, 4). São Paulo usa o termo Ágape neste capítulo todo. O ciúme, neste aspecto, é definido como: reação diante de uma ameaça real ou imaginária. É causada por projeções de experiências negativas, baixa autoestima e imaturidade emocional.

Para não sofrermos desse impulso doentio na emoção será necessário trabalharmos a nossa cura interior no coração. Que o passado não seja o determinante do nosso presente e futuro. A vida se renova a cada dia e a todo instante há uma chance de escrever uma nova história. Que as dores de outrora sirvam apenas como experiência para caminharmos de forma mais acertada daqui em diante. Se algo vivido no passado ainda causa medo ou não permite avanço numa área de nossa vida, é hora de buscarmos auxílio. A cura interior deve ser psicológica e espiritual.

Aqui cabe a busca de sanar os três pontos acima citados: projeções negativas, imaturidade emocional e baixa autoestima. Reveja sua história, “o que é, o fato e de onde parte”  a causa da insegurança. Dentro desse processo, deve também acontecer:

O aprendizado em acreditarmos na verdade – Os fatos da realidade deixam rastros nos elementos onde quer que passem. Se ele (a) não lhe é fiel, uma hora isso virá à tona. De nada adiantará a supervisão e a neurose de encontrar evidências de traição ou desleixo da outra parte. Jesus afirma a verdade como regra, princípio e lei espiritual: "Porque nada há oculto que não deva ser descoberto, nada secreto que não deva ser publicado" (cf. Mt 4, 22).

É preciso respeitar a liberdade da pessoa amada – Não somos donos de ninguém. Temos um compromisso, mas não podemos determinar nada na vida do outro. O ponto ideal é que o (a) parceiro (a) se sinta livre. Liberdade gera equilíbrio por não querer mudar a outra pessoa no que ela é, mas em perceber sua responsabilidade no compromisso que ele (a) tem com você, sendo espontâneo (a).

Reflita sobre isso. Posso dizer que a pessoa que amo tem responsabilidade em nosso compromisso? As atitudes dele (a) com as quais não concordo realmente ameaçam o relacionamento ou são pontos que trazem desgosto e desconfiança por uma possibilidade remota de ele (a) me substituir por outro (a), ou por um outro afazer e entretenimento?

Seja curado por seu relacionamento e não uma pessoa doente afetivamente. O que é de cada um, aquilo que Deus tem para nós, virá de uma forma ou de outra. Se hoje algo nos escapa pelas mãos, significa que não é verdadeiramente parte de nós. Então, para que se agarrar a isso tão firmemente?

Guarde a força do seu coração para os sentimentos que realmente valerão a pena. O ciúme exagerado é um desgaste desnecessário.

Deus o abençoe!


Sandro Ap. Arquejada-Missionário Canção Nova
blog.cancaonova.com/sandro - sandroarq@geracaophn.com

Cientista diz "vislumbrar o trabalho de Deus"

A ciência não pode ser usada para refutar existência de Deus
Dr. Francis Collins, descobridor do genoma humano e Diretor do Instituto Nacional Americano de Pesquisa do Genoma Humano, considera que os milagres são uma "possibilidade real" e descartou que a ciência seja usada para refutar a existência de Deus, porque está confinada a seu mundo "natural". (ACI – Madri, 28 ago 06)
Conforme informa o site Caminayven.com, o cientista explica em seu livro "A linguagem de Deus", cuja publicação será em setembro, que "uma das grandes tragédias de nosso tempo é a impressão criada de que a ciência e a religião têm de estar em guerra" e precisa que o descobrimento do genoma humano lhe permitiu "vislumbrar o trabalho de Deus".
"Quando se dá um grande passo adiante é um momento de regozijo científico, porque você esteve nesta busca e parece que encontrou. Mas é também um momento em que, ao menos, sinto proximidade com o Criador no sentido de estar percebendo algo que nenhum humano sabia antes, mas que Deus sempre soube", indica Collins e explica que as descobertas científicas levam o homem a aproximar-se do Senhor.
Quando você tem pela primeira vez diante de si estes 3,1 trilhões de letras do 'livro de instruções', que transmitem todo tipo de informação e todo tipo de mistérios sobre a humanidade, é incapaz de contemplar página após página sem se sentir sobressaltado. Não posso ajudar, mas sim admirar estas páginas e ter uma vaga sensação de que isso está me proporcionando uma visão da mente de Deus", prossegue o pesquisador.
Francis Collins foi ateu até os 27 anos, quando como jovem médico lhe chamou a atenção a força de seus pacientes mais delicados. "Tinham terríveis doenças das quais com toda probabilidade não escapariam, e ainda, em vez de se queixarem a Deus, pareciam apoiar-se em sua fé como uma fonte de consolo. Foi interessante, estranho e inquietante".
Em seguida leu "Mere Christianity" (Cristianismo puro e simples) de C. S. Lewis, que o ajudou a se converter. Collins explica que o argumento de Lewis, de que Deus é uma possibilidade racional, era algo "que não estava preparado para ouvir. Estava muito feliz com a idéia de que Deus não existia e de que não tinha interesse em mim. Mas mesmo assim, não podia me afastar".
Este é mais um belo testemunho de um cientista de nossos dias, que vem comprovar que não existe antagonismo entre a ciência e a fé, uma vez que ambas vêm de Deus.
O Papa João Paulo II começou a Encíclica "Fé e razão" dizendo que: "A fé e a razão são as duas asas com as quais o espírito humano alça vôo para contemplar a verdade". Isto mostra a importância que ambas têm uma para a outra.
O grande cientista francês Louis Pasteur, da Sorbone, pai da microbiologia, dizia que "a pouca ciência afasta de Deus, mas a muita ciência aproxima de Deus".
Muitos gigantes da ciência, em todos os tempos, se curvaram humildemente diante do Criador. Entre eles, podemos citar homens profundamente religiosos como os astrofísicos Copérnico, Galileu, Keppler, Newton... Louis Pasteur, Blaise Pascal, Andre M. Ampère, Max Planck (1858-1947), prêmio Nobel de Física em 1918, pela descoberta do "quantum" de energia; Andrews Millikan (1868-1953), prêmio Nobel de Física, em 1923, pela descoberta da carga elétrica elementar; Antoine Henri Becquerel (1852-1908), Nobel de Física em 1903, descobridor da radioatividade; Albert Einstein (1879-1955), Nobel de Física em 1921, pela descoberta do efeito foto-elétrico; Erwin Schorödinger (1887-1961), prêmio Nobel de Física em 1933, pelo descobrimento de novas fórmulas da energia atômica.
A Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, mostrou bem claro a harmonia entre a fé e a ciência:
"Se a pesquisa metódica, em todas as ciências, proceder de maneira verdadeiramente científica e segundo as leis morais, na realidade nunca será oposta à fé: tanto as realidades profanas quanto as da fé originam-se do mesmo Deus. Mais ainda: Aquele que tenta perscrutar com humildade e perseverança os segredos das coisas, ainda que disto não tome consciência, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta todas as coisas, fazendo com que elas sejam o que são". (GS,36)
A grandeza e a beleza do Cosmos falam de Deus Criador; o acaso nada explica; não é um sujeito, não existe o Sr. Acaso. Santo Agostinho diz no Sermão 126,3: "Eleva o olhar racional, usa os olhos como homem, contempla o céu e a terra, os ornamentos do céu, a fecundidade da terra, o voar das aves, o nadar dos peixes, a força das sementes, a sucessão das estações. Considera bem os seres criados e busca o seu Criador. Presta atenção no que vês e procura quem não vês. Crê naquele que não vês, por causa das realidades que vês. E não julgues que é pelo meu sermão que és assim exortado. Ouve o Apóstolo que diz: 'As perfeições invisíveis de Deus tornaram-se visíveis, desde a criação do mundo, pelos seres por ele criados' (Rom 1,20)".
O Concilio Vaticano I (1870) afirmou o conhecimento natural de Deus, contra a agnosticismo, o fideísmo e o tradicionalismo absoluto:
"A mesma santa Mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana a partir das coisas criadas, 'pois sua realidade invisível tornou-se inteligível desde a criação do mundo, através das criaturas" (Rm 1,20)". (Dz 1785 – Dz S 3004) 

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

Os demônios da vida conjugal

Vencer a crise é indispensável para que o amor sobreviva


No amor conjugal, o segredo é não lutar contra a idade, sim estar em união com ela, tal é a regra da sabedoria.

A infância do amor conjugal.
Ao início é, sobretudo, alegria e esperança. O amor é novo e está intacto. Os dois vivem em estado de descoberta permanente. Entretanto, o amor não escapa aos ataques do tempo. Uma primeira crise, a da desilusão, sacode o lar nascente. O demônio da desilusão faz com que a imagem ideal, que um havia construído do outro, comece a desvanecer-se. Para vencer essa crise terão que se aceitar em suas imperfeições. Nessa época o matrimônio se constitui realmente.
A juventude do amor.
Ao final da fase de adaptação, um mútuo conhecimento impede maiores atritos. O amor se instala. Mas, se a crise da desilusão não foi superada, o tempo precipita a segunda crise, a do silêncio. Se o demônio mudo se apodera dos dois, caem em uma espécie de letargia. O casal vive, então, em retrocesso, sem crescer, sem um ritmo seguro, sem dinamismo. Vencer essa segunda crise é indispensável para que o amor sobreviva.

A maturidade do amor.
Por volta dos 15 anos, os esposos adquiriram maturidade. Com uma juventude madura vivem com serenidade. São os anos mais belos da vida conjugal. Já não se fala de felicidade, como quando se é jovem, simplesmente é feliz. Mas, também pode produzir-se o contrário, se não encontraram o caminho do diálogo e de sua unidade. Uma terceira crise, com frequência fatal, é a da indiferença. O amor se transformou em hábito, o hábito em rotina, e a rotina, enfim, em indiferença. Vive-se junto ao outro, mas os corações já não estão em contato: o tempo paralisou ou inclusive matou o amor. A vida em comum não é mais que uma aparência que se mantém, seja por obrigação já que estão os filhos, seja por conveniência social. Com o demônio da indiferença instalado, sempre existe lugar para um novo amor e, por isso, para a infidelidade e a separação.
O meio-dia do amor.
Entre os 45 e 50 anos surge um novo perigo. Em ambos é o difícil momento das mudanças físicas e psicológicas. A mulher perde um atributo de sua feminilidade, a fecundidade. O homem vai perdendo um caráter de sua virilidade: o vigor sexual. Mas, antes que se produza esse declive, muitas vezes se dá uma espécie de volta à adolescência. A essa crise da metade da vida chamamos de: "demônio do meio-dia". Se o matrimônio entra nessa etapa minado pela indiferença e pela rotina, o demônio do meio-dia tem grandes possibilidades de triunfar.
O renascimento do amor.
Se o casal soube superar essa época turbulenta, entra num período de uma segunda maturidade. É o crepúsculo do amor, o momento em que o matrimônio desfruta da unidade conquistada, de una harmonia, profunda e de uma nova paz. É a hora de uma felicidade serena, sem choques e sem conflitos. O tempo, que não perdoa, oferece então aos cônjuges a inapreciável recompensa do renascimento do amor.
O repouso do amor.
Virá, por último, a hora do repouso em que, envelhecidos no amor, ambos só terão reconhecimento um para o outro. Nem sequer a dolorosa perspectiva da morte poderá perturbar a maturidade do amor. Haver-se amado até o final converte a morte num ápice, numa vitória. Diante dos homens, como diante de Deus, não existe um amor mais perfeito que o de dois seres que envelheceram juntos e que deram a mão para vencer as últimas dificuldades a fim de gozar das últimas claridades do dia.

Padre Nicolás Schwizer
Shoenstatt mov.apostólico

As pérolas da vida

A sociedade atual tem de tudo, mas nem tudo faz bem ao ser humano
A maior pérola da existência terrena é a pessoa humana, com suas reais condições de vida saudável e de dignidade. A isso se junta sua capacidade de decisão, de empenho e de discernimento para realizar aquilo que convém e que ajuda na sua real existência.

O discernimento, também entendido como escolha consciente e livre, é a capacidade de opção, fazendo investimento no que é bom, rejeitando tudo aquilo que é ruim e que prejudica a força da esperança contida no coração de todas as pessoas. É marca fundamental na pessoa humana a sabedoria nos julgamentos, na administração, na equidade e no bom senso. Importa ter um coração sábio e inteligente, porque ali reside a condição do pensar e do conhecimento do bem e do mal.
As atitudes de dureza de atos são prejudiciais para a comunidade, seja ela qual for. A família pode ser a maior e primeira prejudicada, convivendo com práticas autoritárias, com mandos e desmandos de formas inconsequentes. Toda prática autoritária acaba sendo corrupta e exploradora das pessoas. Podemos dizer que a sabedoria divina é uma grande pérola, mas tem que ser bem usada, sabendo discernir com precisão o que é bom e o que é mal na comunidade.
As pérolas são tesouros como sinais de vida. No dizer dos provérbios: "Feliz o homem que encontrou a sabedoria..., mais feliz ainda é quem a retém" (Pr 3, 13-18). É como encontrar ouro, prata e objetos preciosos. Jesus fala do Reino de Deus como pérola a ser procurada.

A sociedade atual tem de tudo, mas nem tudo faz bem para o ser humano. É necessário distinguir o que serve para ajudar o homem e a mulher na sua dignidade, no ser imagem e semelhança de Deus. A maior pérola é a filiação divina do ser humano.
Enfim, a vida humana, como maior pérola na história, é uma conquista diária, com lutas e enfrentamentos a todo instante. E não é fácil fazer o bem no meio de tantas propostas oferecidas pela cultura do mal e da violência ao ser humano.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto

Dependência afetiva

Quando ela ocorre passamos a não viver mais sem a ajuda do outro
A dependência afetiva é um estado que faz parte da natureza humana por nascermos dependentes tanto no campo físico (alimentação, cuidados, etc.) quanto no campo afetivo. As experiências que vamos adquirindo em nosso desenvolvimento farão com que tenhamos ou não nossa independência afetiva. É muito importante esclarecer que essa independência não significa individualismo, muito menos com solidão. É, sim, a capacidade de não nos vincularmos excessivamente a alguém, é a possibilidade de tomarmos nossas decisões, escolhas e dar passos na capacidade e na autonomia de cuidar de nós mesmos e assumir o que fizemos de certo ou errado.
Para que você possa perceber se é uma pessoa excessivamente dependente de alguém é importante observar alguns pontos:
  • Você precisa de alguém para sentir-se seguro e tranquilo?
  • Percebe que, mesmo em situações simples de escolha e decisão, precisa desta pessoa ao seu lado?
  • Sente-se dependente para fazer escolhas, precisando da aprovação desta pessoa?
  • Sente que sua autonomia é prejudicada, ou seja, é difícil fazer algo sem aquela pessoa?
É claro que muitos de nós gostamos que uma outra pessoa dê uma opinião a nosso respeito (se a roupa está bonita em nós, se devemos comprar algo, se devemos mudar de emprego e tantas outras decisões), o que não significa que sejamos dependentes. A dependência se caracteriza sempre que há algum excesso, aquela dificuldade em sair do lugar sem que o outro nos apoie, como uma muleta, um suporte, que precisamos e fazemos questão de carregar em toda nossa vida.
Quando estamos nessa situação, geralmente temos dificuldade para perceber, negamos essa dificuldade e nos irritamos quando somos apontados como dependentes. E temos também dificuldades com a autoestima e a maturidade emocional, e costumamos fazer outras coisas em excesso, como trabalhar, comer, beber, falar, jogar, entre outros. Podemos ainda viver sentimentos muito extremos (amar demais, odiar demais) bem como sensação de vazio e falta de significado em nossa vida, sem compreender exatamente o que está ocorrendo.
Nem sempre as escolhas afetivas dependentes são conscientes e claras para quem passa por isso. Dependências podem se dar com coisas, objetivos, drogas, jogos, chegando a pessoas e a palavras amigas. A dependência afetiva faz com que procuremos exteriormente o apoio e a proteção para suportarmos os problemas vividos nos relacionamentos e nas situações sociais. Somos humanos e somos efetivamente influenciados o tempo todo. Vale lembrar que, como seres sociais que somos, efetivamente seremos influenciados e influenciaremos o tempo todo e isso faz parte de nossa natureza.
Das relações sadias, por meio das quais os pais estimulam e acreditam no potencial de uma criança, – fazendo com que ela supere desafios e aprenda a ganhar e a perder –, é que nasce uma autoestima positiva e a sensação de segurança pessoal, bem como a capacidade de cuidar de si. No entanto, quando isso não ocorre, muitas vezes, vamos buscar esta dependência a fim de que outra pessoa nos estimule, mas quando entra o excesso, passamos a não viver mais sem a ajuda dela, mesmo em pequenas decisões. É interessante, pois, nessa relação "disfuncional" sempre haverá o outro, ou seja, aquele que é a pessoa mais segura na relação, mas que, de alguma forma, também alimenta essa dependência.
Sendo assim, é muito importante que a pessoa dependente estabeleça limites em seus relacionamentos, reconhecendo sua realidade, que, muitas vezes, passa pela negação dos fatos e a ilusão de viver em situações fantasiosas. Da mesma forma, ela deve assumir a responsabilidade em administrar suas necessidades, reconhecer suas atitudes, emoções e seus comportamentos, sejam eles positivos ou não, percebendo as vivências da raiva, do medo, da vergonha, da culpa e, com isso, reconhecendo estas questões em sua vida e comprometendo-se com a mudança.

Elaine Ribeiro
psicologia01@cancaonova.com
Elaine Ribeiro, Psicóloga Clínica e Organizacional, colaboradora da Comunidade Canção Nova.
Blog: temasempsicologia.wordpress.com
Twitter: @elaineribeirosp

Amizade

Ser amigo é o segredo da vida e da vitória...
A Palavra de Deus é exuberante quando nos fala da amizade:
“Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade da sua fé.
Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor achará esse amigo. Quem teme ao Senhor terá uma excelente amizade, pois seu amigo lhe será semelhante” (Eclo 6, 14-17).
Amigo não é apenas um conhecido, colega, companheiro... Não. Amigo é amigo. Se eu quisesse definir amigo e amizade teria de encontrar as palavras certas e o conceito exato, porque amigo não é uma coisa qualquer. É por isso que a Palavra de Deus nos diz que quem encontrou um amigo encontrou um tesouro.
Um amigo pode nos transformar. E por que nos transforma? Porque antes de tudo o amigo nos ama como somos.
O amigo consegue nos corrigir... e muitas vezes só o amigo é capaz de nos corrigir. O pai não consegue, o que mãe não consegue, um amigo consegue fazer. Ele atinge o coração. Ele, e muitas vezes só ele, tem linha direta com o nosso coração. Ele chega lá, naquele lugar aonde ninguém consegue chegar.
E por que ele consegue chegar lá? Repito: porque o amigo nos ama do jeito que somos. É por isso que ele consegue nos transformar.
O amigo é capaz de dizer as coisas como elas são, ele consegue nos dizer as verdades que não quereríamos ouvir, mas como o amigo é amigo, acabamos ouvindo. Muitas vezes a gente se chateia, se afasta, fica sem se comunicar... mas passaram as horas, os dias e a gente volta atrás e entende, acolhe, se dobra... e tudo muda.
Às vezes a gente briga, se revolta... mas porque amigo é amigo, a gente não consegue ficar longe... A amizade é mais forte que a briga, a revolta... e que bom que é assim! Muitas vezes só a amizade é capaz de nos dobrar. Ter amigos é essencial. Ser amigo é o segredo da vida e da vitória.
E por que tudo isso? Porque na amizade há amor. Amor puro. Amor desinteressado. 
 
Do livro: “A cura da nossa afetividade e sexualidade”

Por: Mons. Jonas Abib 

A multiplicação prodigiosa

Deus considera a intenção de ajudar o irmão
Entre as mensagens que a prodigiosa multiplicação dos pães oferece não se pode deixar de admirar a imensa munificência de Cristo diante da perplexidade dos Seus discípulos a lhe dizerem num lugar deserto: “Despede as multidões para que possam ir aos povoados comprar comida”. (Mt 14,13-21). Eles tinham apenas cinco pães e dois peixes, mas ali estava o poderoso Filho de Deus, que possuía um coração transbordante de amor e que se compadeceu de quantos tinham vindo a Ele.
O evangelista detalhou que eram mais ou menos cinco mil homens sem contar mulheres e crianças. O pouco que havia não inquietava o Mestre. O que contava a Seus olhos era Sua intenção sincera de realizar um ato de generosidade. Ele ensina, com isso, que se deve fazer o bem ainda que as dificuldades sejam enormes, deixando-nos o recado de que nunca o nosso pão é tão pequenino que não o possamos repartir com o próximo em necessidade. O que conta diante de Deus é a reta intenção de ajudar o irmão em todas as circunstâncias. O amor aos outros é indissociável do amor de Deus, pois os dois mandamentos são o vértice e a chave da Lei.
Dirá São João: "Quem não ama seu irmão a quem vê não poderia amar Deus a quem não vê". São Paulo mostrará aos Gálatas que “toda a lei compendia-se nestas simples palavras: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" (Gl 5,14). Trata-se da obra única e multiforme de toda fé viva. Portanto, no fundo, só há um só amor. Este, porém, se manifesta na doação. Lembrava, com razão: "O espírito enriquece com o que recebe; o coração, com o que dá”, afirma Victor Hugo. Entretanto, cumpre observar que o amor do próximo é essencialmente religioso, não é uma simples filantropia. Com efeito, o modelo é o próprio amor de Deus. Além disto, sua fonte é a obra divina no interior de cada um.
Não poderemos ser misericordiosos com o Pai celeste se o Senhor não no-lo ensinar, como mostrou São Paulo aos Tessalonicenses: "Quanto à caridade fraterna, não precisais que eu vos escreva, pois vós mesmos aprendestes de Deus a amar-vos uns aos outros" (Tl 4,9).

Foi o que ele frisou também aos Romanos: "O amor de Deus se encontra largamente difundido nos nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado" (Rm 5,5). O fundamento de tudo isso é que o próprio Deus nos toma por filhos, como ensinou São João: "O amor vem de Deus e todo aquele que ama é gerado por Deus e conhece a Deus {...] porque Deus é amor" (I Jo 44, 7-8). Amando os nossos irmãos amamos o próprio Senhor como está no relato do Juízo universal: "Na verdade vos digo que tudo que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes" (Mt 25,40).
É de se notar ainda como base do magno ensinamento de Jesus, quando multiplicou os pães, o fato de formarmos o Corpo de Cristo e, por isso, o que se passa com o próximo não pode ser indiferente ao verdadeiro cristão. Aí está a razão pela qual Cristo fez do preceito do amor o Seu sublime testamento: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 13,34).
Tão grande dileção não permitiria que Ele despedisse a multidão faminta e, ao mesmo tempo, deixasse de oferecer tão inefável lição. Ele desejava deixar claro que Seu amor continuaria a se exprimir por meio da caridade que os discípulos mostrassem entre si. Amando como Cristo os cristãos viveriam uma realidade divina e eterna.
A fraternidade deveria ser uma comunhão total na qual cada um se engajaria com toda sua capacidade de amor e de fé. Trata-se de um amor exigente e concreto.Tocante o desejo que Jesus expressou ao Pai: "Que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles" (Jo 17,26). A generosidade seria inclusive a carteira de identidade do batizado: "Nisto todos vos reconhecerá como meus discípulos: no amor que tiverdes uns para com os outros" (Jo 13,35).
A essência desta dileção é a doação. Foi o que o apóstolo dos gentios compreendeu e pôde proclamar: "Fiz-me tudo para todos para a todos salvar" (I Cor 9,22).

O coração do cristão deve ser como a Hóstia Consagrada, que é outro Pão multiplicado maravilhosamente por Jesus, no qual cada parcela infinitésima em que fosse dividido seria capaz de conter, vivo e perfeito, o tesouro do amor do Coração d'Aquele que se apiedou da multidão lá no deserto.

Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos

Fiquei noiva, e agora?

É preciso colocar Deus em primeiro lugar.
"Eles não têm mais vinho" (Jo 2,3). Essa passagem da Bíblia muito conhecida poderia ter um final trágico não fosse a misericórdia de Jesus e a intercessão de Nossa Senhora. Imagine a cara da noiva com esse probleminha na festa de casamento?

Afinal, para muitas mulheres o sonho de uma vida é entrar na igreja de véu, grinalda, buquê de flores de laranjeira ao som da marcha nupcial ... E esse sonho fica mais próximo de ser concretizado com o pedido de noivado. A partir do momento em que a namorada diz "sim" (ou o namorado, afinal, as mulheres nem sempre esperam que a iniciativa parta do moço) começa a  contagem regressiva para que o grande dia seja perfeito e nada falte.

E uma maratona de decisões e escolhas se inicia: vestido, igreja,  padrinhos, damas e pajens, canções,  e se vai haver festa então é aí que a agenda – e o bolso – apertam!

O casal de noivos, porém, não pode se esquecer do essencial nesse período: a oração e escuta de Deus, pois Ele é providente e fiel não deixando faltar nada. Mas é preciso ouvir o Senhor antes de qualquer escolha.


Em geral, nesse período, enquanto o noivo continua com a sua vida comum e normal de todo santo dia,  a noiva passa boa parte das horas pensando na lista de tarefas até o dia do casamento, e pode se tornar até chata para os amigos, pois só fala nisso. Ela precisa estar atenta para não se alienar nem ser seduzida pelos fornecedores que, muitas vezes, nos fazem crer que o mundo gira em torno do casório.


Hoje, há uma indústria "mafiosa" no ramo de casamentos, que vende a ideia de que, para a boda ser linda, precisa ser cinematográfica e cara. E isso é uma grande mentira! Principalmente porque ofusca o mais importante: a bênção de Deus para o amor entre os noivos, o que faz da mais simples cerimônia um acontecimento único.

Alguns casais se preocupam tanto com a festa, a música, a lua de mel, os presentes, sem perceber que o matrimônio é um sacramento, que expressa a vocação de dois filhos de Deus, os quais serão uma ajuda adequada um para o outro, rumo ao céu. É preciso discernimento para se  colocar Deus em primeiro lugar.

Já parou pra pensar que os noivos das Bodas de Caná sequer souberam que faltou vinho? Jesus, na hora certa,  manifestou o primeiro milagre. À medida que o noivado vai passando, o casal deve experienciar os pequenos milagres cotidianos, desde a escolha da data até a vida de casados.

De qual milagre você precisa hoje? O dinheiro está curto? Cada casal precisa aliar sua condição financeira a seus sonhos para definir prioridades. Quando se coloca Deus na história tudo fica mais leve, pois Ele, que providenciou o encontro dos namorados, é quem vai guiar o casal e cuidar para que, com discernimento, organizem uma cerimônia marcante e significativa tanto para eles como para suas famílias.


E para ajudar nessa busca conjunta de Deus, o curso de noivos é fundamental, pois o casal vai, em retiro, refletir sobre essa importante decisão. E os noivos também não podem se esquecer de procurar um serviço médico para os exames pré-nupciais, que vão atestar a boa saúde de ambos, e também discutir sobre o planejamento familiar com a utilização do método Billings após o casamento – e a Igreja oferece diferentes cursos e publicações nesse sentido.

"Todos servem o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados, servem o pior. Você porém, guardou o vinho bom até agora!" (Jo 2, 10).

Por compaixão dos noivos, a pedido de Nossa Senhora, Jesus realizou o impossível e possibilitou que a festa continuasse. Ele não é um Deus que deixa as coisas pela metade, mas realiza nossos sonhos por inteiro. Portanto, peça o auxílio d'Ele no seu grande dia! Recorrer ao Espírito Santo antes de tomar qualquer decisão, da data ao altar, lhe fará experimentar todas as providências de Deus para que recebam esse sacramento de forma digna, feliz e surpreendente.

"
Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado" (Mt 6, 33). Pode crer!
Mariella Silva de Oliveira
mariellajornalista@gmail.com
Mariella é jornalista, professora universitária e consultora no Ministério da Saúde. Atuante na Renovação Carismática Católica há 12 anos, 10 deles no Ministério Universidades Renovadas.

Amizade

Ser amigo é o segredo da vida e da vitória...
A Palavra de Deus é exuberante quando nos fala da amizade:
“Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade da sua fé.
Um amigo fiel é um remédio de vida e imortalidade; quem teme ao Senhor achará esse amigo. Quem teme ao Senhor terá uma excelente amizade, pois seu amigo lhe será semelhante” (Eclo 6, 14-17).
Amigo não é apenas um conhecido, colega, companheiro... Não. Amigo é amigo. Se eu quisesse definir amigo e amizade teria de encontrar as palavras certas e o conceito exato, porque amigo não é uma coisa qualquer. É por isso que a Palavra de Deus nos diz que quem encontrou um amigo encontrou um tesouro.
Um amigo pode nos transformar. E por que nos transforma? Porque antes de tudo o amigo nos ama como somos.
O amigo consegue nos corrigir... e muitas vezes só o amigo é capaz de nos corrigir. O pai não consegue, o que mãe não consegue, um amigo consegue fazer. Ele atinge o coração. Ele, e muitas vezes só ele, tem linha direta com o nosso coração. Ele chega lá, naquele lugar aonde ninguém consegue chegar.
E por que ele consegue chegar lá? Repito: porque o amigo nos ama do jeito que somos. É por isso que ele consegue nos transformar.
O amigo é capaz de dizer as coisas como elas são, ele consegue nos dizer as verdades que não quereríamos ouvir, mas como o amigo é amigo, acabamos ouvindo. Muitas vezes a gente se chateia, se afasta, fica sem se comunicar... mas passaram as horas, os dias e a gente volta atrás e entende, acolhe, se dobra... e tudo muda.
Às vezes a gente briga, se revolta... mas porque amigo é amigo, a gente não consegue ficar longe... A amizade é mais forte que a briga, a revolta... e que bom que é assim! Muitas vezes só a amizade é capaz de nos dobrar. Ter amigos é essencial. Ser amigo é o segredo da vida e da vitória.
E por que tudo isso? Porque na amizade há amor. Amor puro. Amor desinteressado.
Do livro: “A cura da nossa afetividade e sexualidade”

Por: Mons. Jonas Abib 

Igreja Católica, Mãe das Universidades

Os estudantes universitários normalmente têm um conhecimento pouco profundo sobre a Idade Média; e porque muitos são mal informados, acham que foi um período de ignorância, superstição e repressão intelectual por parte da Igreja católica. No entanto, foi exatamente na Idade Média que surgiu a maior contribuição intelectual para o mundo: o sistema universitário.
A universidade foi um fenômeno totalmente novo na história da Europa. Nada como ele existiu no mundo grego ou romano afirmam os historiadores.

O ensino superior na Idade Média era ministrado  por iniciativa da Igreja. A Universidade medieval não tem precedentes históricos; no mundo grego houve escolas públicas, mas todas isoladas. No período greco-romano cada filósofo e cada mestre de ciências tinham “sua escola”, o que implicava justamente no contrário de uma Universidade. Esta surgiu na Idade Média, pelas mãos da Igreja Católica, e reunia mestres e discípulos de várias nações, os quais constituíam poderosos centros de saber e  de erudição.

Por volta de 1100, no meio de uma grande fermentação intelectual, começam as surgir as Universidades; o orgulho da Idade Média cristã, irmãs das Catedrais. A sua aparição é um marco na história da civilização Ocidental que nenhum historiador tem coragem de negar. Elas nasceram às sombras das Catedrais e dos mosteiros. Logo receberam o apoio das autoridades da Igreja e dos Papas. Assim, diz Daniel Rops, “a Igreja passou a ser a matriz de onde saiu a Universidade” (A Igreja das Catedrais e das Cruzadas, pág. 345).

Tudo isso nesta bela época que alguns teimam em chamar maldosamente de “obscura” Idade Média. A razão e a fé sempre caminharam juntas na Igreja.

A raiz das Universidades esta no século IX com as escolas monásticas da Europa, especialmente para a formação dos monges, mas que recebiam também estudantes externos. Depois, no século XI surgiram as escolas episcopais; fundadas pelos bispos, os Centros de Educação nas cidades, perto das Catedrais. No século XII surgiram centros docentes debaixo da proteção dos Papas e Reis católicos, para onde acorriam estudantes de toda Europa.

A primeira Universidade do mundo Ocidental foi a de Bolonha (1158), na Itália, que teve a sua origem na fusão da escola episcopal com a escola monacal camaldulense de São Félix. Em 1200 Bolonha tinha dez mil estudantes (italianos, lombardos, francos, normandos, provençais, espanhóis, catalães, ingleses germanos, etc.). A segunda, e que teve maior fama foi a Universidade de Paris, a Sorbone, que surgiu da escola episcopal da Catedral de Notre Dame. Foi fundada pelo confessor de S. Luiz IX, rei de França, Sorbon. Ali foram estudar muitos grandes santos como Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e São Tomás de Aquino. A universidade de Paris (Sorbonne) era chamada de “Nova Atenas” ou o “Concílio perpétuo das Gálias”, por ser especialmente voltada à teologia.

O documento mais antigo que contém a palavra “Universitas” utilizada para um centro de estudo é uma carta do Papa Inocêncio III ao “Estúdio Geral de Paris”. A universidade de Oxford, na Inglaterra surgiu de uma escola monacal organizada como universidade por estudantes da Sorbone de Paris. Foi apoiada pelo Papa Inocêncio IV (1243-1254) em 1254.

Salamanca é a Universidade mais antiga da Espanha das que ainda existem, fundada pela Igreja; seu lema é “Quod natura non dat, Salmantica non praestat” (O que a natureza não nos dá, Salamanca não acrescenta”. Entre as universidades mais antigas está a de Santiago de Compostela. A cidade foi um foco de cultura desde 1100 graças ao prestígio de sua escola capitular que era um centro de formação de clérigos vinculados à Catedral. A Universidade de Valladolid é anterior à de Compostela já que em 1346 obteve do  papa Clemente VI a concessão  de todas as faculdades, exceto a de Teología.

Em 1499 o Cardeal Cisneros fundou a famosa universidade “Complutense” mediante a Bula Pontifícia concedida pelo Papa Alexandre VI. Nos anos de 1509-1510 já funcionavam cinco Faculdades: Artes e Filosofía, Teología, Direito Canônico , Letras e Medicina.

Até 1440 foram erigidas na Europa 55 Universidades e 12 Institutos de ensino superior, onde se ministravam cursos de Direito, Medicina, Línguas, Artes, Ciências, Filosofia e Teologia. Todos fundados pela Igreja. O Papa Clemente V (1305-1314) no Concílio universal de Viena em 1311, mandou que se instaurassem nas escolas superiores cursos de línguas orientais (hebreu, caldeu, árabe, armênio, etc.), o que em breve foi feito também  em Paris, Bolonha, Oxford, Salamanca e Roma.

A atual Universidade de Roma, La Sapienza – onde tristemente estudantes e professores impediram o Papa Bento XVI de proferir a aula inaugural em 2008 –  foi fundada há sete séculos, em 1303, pelo Papa Bonifácio VIII (1294-1303), com o nome de “Studium Urbis”.

Das 75 Universidades criadas de 1100 a 1500, 47 receberam a Bula papal de fundação, enquanto muitas outras, que surgiram espontaneamente ou por decisão do poder secular, receberam em seguida a confirmação pontifícia, com a concessão da Faculdade de Teologia ou de Direito Canônico. (Sodano, 2004).

As universidades atraíam multidões de estudantes, da Alemanha, Itália, Síria, Armênia e Egito. Vinham para a de Paris chegavam a 4000, cerca de 10% da população.

Só na França havia uma dezena de universidades: Montepellier (1125), Orleans (1200), Toulouse (1217), Anger (1220), Gray, Pont-à-Mousson, Lyon, Parmiers, Norbonne e Cabors. Na Itália: Salerno (1220), Bolonha (1111), Pádua, Nápoles e Palerno. Na Inglaterra: Oxford (1214), nascida das Abadias de Santa Frideswide e de Oxevey, Cambridge. Além de Praga na Boêmia, Cracóvia (1362), Viena (1366), Heidelberg (1386). Na Espanha: Salamanca e Portugal, Coimbra. Todas fundadas pela Igreja. Como dizer que a Idade Média cristã foi uma longa “noite escura” no tempo? As universidades medievais foram centros de intensa vida intelectual, onde os grandes homens se enfrentavam em discussões apaixonadas nos grandes problemas. E a fé era o fermento que fazia a cultura crescer.

Graças ao latim todos se entendiam, era a língua universal  e acadêmica; esta permitia aos sábios comunicar-se de um ponto a outro da Europa Ocidental. Havia uma unidade interna e de obediência aos mesmos princípios; era o reflexo de uma civilização vigorosa, segura de sua força e de si mesma.

A partir de 1250 o grego foi ensinado nas escolas dominicanas e, a partir de 1312 nas universidades de Sorbonne, Oxford, Bolonha e Salamanca. Abria-se assim um novo campo ao pensamento que desencadeou uma onda de paixão filosófica no nascimento da Escolástica-teologia e filosofia unidas para provar uma proposição de fé.

Santo Agostinho, Cassidoro, Santo Isidoro de Sevilha, Rábano Mauro e Alamino, os grandes mestres da Antigüidade, se apoiavam sobretudo nas Sagradas Escrituras. Agora o intelectual cristão da Idade Média quer demonstrar que os dogmas estão de acordo com a razão e que são verdadeiros. É a “teologia especulativa”, onde a filosofia é amiga da teologia. Os problemas do mundo são estudados agora sob esta dupla ótica.

A Universidade medieval era um mundo turbulento e cosmopolita; os estudantes de Paris estavam repartidos em quatro nações: os Picardos, os Ingleses, os Alemães e os Franceses.  Os professores também vinham de diversas partes do mundo: havia Sigério de Brabante (Bélgica), João de Salisbury (Inglaterra), S. Alberto Magno (Renânia), S. Tomás de Aquino e São Boaventua da Itália.    
Os problemas que apaixonavam os filósofos, eram os mesmos em Paris, em Oxford, em Edimburgo, em Colônia ou em Pavia. O mundo estudantil era também um mundo itinerante: os jovens saiam de casa para alcançar a Universidade de sua escolha; voltavam para sua terra nas festas.  O sistema universitário que temos hoje com cursos de graduação, pós-graduação, faculdades, exames e graus veio diretamente do mundo medieval.

Os papas sabiam bem da importância das universidades nascentes para a Igreja e para o mundo, e por isso intervinham em sua defesa muitas vezes. O Papa Honório III (1216-1227) defendeu os estudantes de Bolonha em 1220 contra as restrições de suas liberdades. O Papa Inocêncio III (1198-1216) interveio quando o chanceler de Paris insistiu em um juramento à sua personalidade. O Papa Gregório IX (1227-1241) publicou a Bula “Parens Scientiarum” em nome dos mestres de Paris, onde garantiu à Universidade de Paris (Sorbonne) o direito de se auto-governar, podendo fazer suas leis em relação aos cursos e estudos, e dando à Universidade uma jurisdição papal, emancipando-a da interferência da diocese.

O papado foi considerado a maior força para a autonomia da Universidade, segundo A. Colban (1975). Era comum as universidades trazerem suas queixas ao Papa em Roma. Muitas vezes o Papa interveio para que as universidades pagassem os salários dos professores; Bonifácio VIII (1294-1303), Clemente V (1305-1314), Clemente VI (1342-1352), e Gregório XI (1370-1378) fizeram isso. “Na universidade e em outras partes, nenhuma outra instituição fez mais para promover o saber do que a Igreja Católica”, garante Thomas  Woods( pg. 51).

O processo para se adquirir a licença para ensinar era difícil. Para se ter idéia da solenidade e importância do ato, basta dizer que em St. Genevève a pessoa para ser licenciada se ajoelhava diante do Vice-chanceler, que dizia:
“Pela autoridade dos Apóstolos Pedro-Paulo, dou-lhe a licença de ensinar, fazer palestras, escrever, participar de discussões… e exercer outros atos do magistério, ambos na Faculdade de Artes em Paris e outros lugares, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém” [Daly, 1961; pg 135].

Uma riqueza da universidade medieval é que era atenta às finalidades sociais. Não se aceitava a idéia de uma cultura desinteressada, ou um saber exclusivamente para seu próprio benefício pessoal. “Deve-se aprender apenas para a própria edificação ou para ser útil aos outros; o saber pelo saber é apenas uma vergonhosa curiosidade”, já havia dito São Bernardo (1090-1153).

Para Inocêncio IV (1243-1254) a Universidade era o “Rio da ciência que rege e fecunda o solo da Igreja universal”, e Alexandre IV (1254-1261) a chamava de: “Luzeiro que resplandece na Casa de Deus” (Daniel Rops, pg.348).

Portanto, são maldosos ou ignorantes da História aqueles que insistem em se referir à Idade Média e à Igreja como promotoras da inimizade à Ciência e perseguidora dos cientistas. 

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br



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